quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ecos da Visita de Sua Santidade Bento XVI ao Reino Unido

Cinco bispos anglicanos renunciam para entrar na Igreja Católica

Em comunicado anunciam que querem criar um ordinariato pessoal

Com data de segunda-feira, 8 de novembro de 2010, foi publicitado em Londres que 5 bispos anglicanos da Church of England anunciaram a sua renúncia ao ministério nessa igreja e a sua decisão de se unirem num Ordinariato Pessoal para Anglicanos, em plena comunhão com a Una Sancta Catolica et Apostolica Ecclesia.

A constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, publicada há um ano, abriu o caminho para que comunidades anglicanas possam entrar na Igreja Católica através do estabelecimento de ordinariatos pessoais, com características semelhantes às de uma diocese não territorial, uma nova estrutura canónica.

Dessa forma, poderão reconhecer o primado do Papa, mantendo elementos próprios de sua tradição litúrgica e espiritual.

Entre os bispos anglicanos do Reino Unido que anunciaram sua renúncia, encontram-se: Andrew Burnham, bispo de Ebbsfleet, Keith Newton, bispo de Richborough, e John Broadhurst, bispo de Fulham. Estes três prelados eram familiarmente conhecidos como "bispos voadores", pois atendiam espiritualmente os fiéis de diferentes dioceses anglicanas que não aceitaram a ordenação de mulheres como sacerdotisas.

Foi também anunciado que outros dois bispos: Edwin Barnes, Bispo Emérito Anglicano de Richborough e o Bispo Auxiliar Emérito, David Silk, de Exeter.

O comunicado assinado pelos 5 bispos explica que todos eles acompanharam durante anos o processo de diálogo entre anglicanos e a Igreja Católica, "com oração e profundo anseio". "Ficamos consternados, nos últimos 30 anos, ao ver que anglicanos e católicos se separavam cada vez mais em algumas questões de vida diária, em particular ao ver diversas decisões em assuntos de fé e disciplina no anglicanismo, que, segundo o que acreditamos, são incompatíveis com a vocação histórica do anglicanismo e a tradição de dois mil anos da Igreja."

Explicam que, para eles, a Anglicanorum Coetibus foi uma resposta aos anglicanos que buscam a unidade com Roma: "Com os ordinariatos, estabelecem-se estruturas canónicas por meio das quais poderemos levar a nossa experiência de discipulado cristão à comunhão plena com a Igreja Católica que abrange o mundo inteiro e todas as épocas". "Trata-se tanto de uma resposta generosa da Santa Sé a quem pediu ajuda, como também de um novo e valente instrumento ecuménico para a busca da unidade dos cristãos, unidade pela qual o próprio Cristo orou antes de sua paixão e morte. Trata-se de uma unidade que, acreditamos, é possível somente na comunhão eucarística com o sucessor de Pedro."

Os cinco afirmam que, "como bispos, cuidamos de todos, dos que compartilham a nossa posição e daqueles que assumiram uma postura diferente. Agora chegamos ao momento no qual devemos declarar formalmente a nossa posição e convidar outros a unirem-se a nós no nosso caminho. Portanto, cessará imediatamente o nosso ministério episcopal público, renunciando às nossas responsabilidades pastorais na Church of England. Isso terá efeitos a partir de 31 de dezembro de 2010. Buscamos unir-nos a um Ordinariato quando este for criado".

Em resposta ao anúncio, o primaz da Comunhão Anglicana, o Arcebispo de Canterbury Rowan Williams, publicou um comunicado no qual aceitava com "pesar" as renúncias dos bispos, "que decidiram que o seu futuro no ministério cristão passa pelas novas estruturas propostas pelo Vaticano". "Desejamos-lhes o melhor no novo passo do seu serviço à Igreja", acrescentou, agradecendo-lhes pelo "seu fiel trabalho pastoral na igreja da Inglaterra durante muitos anos".

A associação internacional de anglicanos que se opõe à ordenação de mulheres como sacerdotisas ou bispos, Forward in Faith, assegurou aos bispos que apresentaram a sua renúncia "o amor, as orações e o apoio de todos os seus membros, além do seu agradecimento pelo ministério que desempenharam ao seu serviço". "Também asseguramos ao Arcebispo de Canterbury e ao Bispo de London as nossas orações, enquanto buscamos discernir como serão substituídas as sedes vacantes de Ebbsfleet, Richborough e Fulham", acrescentam.

Dom Alan Hopes, Bispo auxiliar de Westminster, a sede católica da capital britânica, acolheu positivamente a decisão, num comunicado emitido em nome da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales. O episcopado católico, revelou, "estar a reflectir como estabelecer o ordinariato" e dá "as cordiais boas-vindas, que estendemos a todos os que querem fazer parte dele". Os prelados católicos da Inglaterra e Gales convocaram uma reunião sobre este tema e, após a sua realização, poderão dar mais informações. Até o momento, não se criou nenhum Ordinariato para anglicanos que entraram em comunhão plena com a Igreja Católica, ainda que comunidades anglicanas do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Canadá já tenham manifestado a sua intenção de unir-se à Igreja Católica.

Por sua vez, o Pe. Federico Lombardi, SJ, porta voz da Sala de Imprensa da Santa Sé, confirmou hoje que a Santa Sé está a apreciar a constituição do Ordinariato, segundo as normas estabelecidas pela constituição apostólica Anglicanorum coetibus e que "as eventuais decisões serão comunicadas no momento oportuno".

Explicação de um protagonista:
No mês passado, o bispo anglicano John Broadhurst, de Fulham, já havia anunciado a sua intenção de apresentar a renúncia, num encontro da associação Forward in Faith, associação da qual é presidente. No anúncio, mencionou numerosos motivos, entre os quais o mais importante é a ordenação de mulheres. Ele vai continuar a fazer parte do Forward in Faith International, pois não faz parte da Church of England. Segundo John Broadhurst, a sua decisão foi tomada após um discernimento na oração, em que pensou na sua união à Igreja Católica durante 45 anos.
Diante da pergunta sobre a possibilidade de manter um ministério activo na Igreja Católica, o Bispo Broadhurst respondeu: "Farei o que Sua Santidade quiser e permitir. Como sacerdote, tenho uma responsabilidade e, se me for permitido, continuarei a desempenhá-la". Revelou igualmente que outros anglicanos estão a pensar em dar o passo de unidade com Roma, "mas, de qualquer forma, cada um tem de tomar sua própria decisão. Esta é apenas a minha decisão".

Karna Swanson

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Viaje Apostólico de Su Santidad BENEDICTO XVI A Santiago de Compostela Y Barcelona (6 - 7 NOVIEMBRE 2010)

Visita Papal a Espanha 6 e 7 de Novembro de 2010:
Para quem não possa estar em pessoa:
Celebrações das Eucaristias em directo na Televisão:
SÁBADO 6: TV Galicia às 15h30m Hora Portuguesa
DOMINGO 7: RTP1 às 09h00m Hora Portugues

Programação Oficial (na Hora Espanhola):

Sábado, 6 de noviembre de 2010

Roma
08.30 Salida en avión desde el Aeropuerto de Roma-Fiumicino rumbo a Santiago de Compostela.

Santiago de Compostela
11.30 Llegada al Aeropuerto Internacional de Santiago de Compostela.
CEREMONIA DE BIENVENIDA en el Aeropuerto Internacional de Santiago de Compostela. Discurso del Santo Padre.
ENCUENTRO PRIVADO CON SUS ALTEZAS REALES LOS PRÍNCIPES DE ASTURIAS en la Sala de Autoridades del Aeropuerto Internacional de Santiago de Compostela.
13.00 VISITA A LA CATEDRAL de Santiago de Compostela. Saludo del Santo Padre.
13.45 Almuerzo con los Cardenales españoles, con los Miembros del Comité Ejecutivo de la Conferencia Episcopal Española y con el Séquito Papal en el Arzobispado de Santiago de Compostela.
16.30 SANTA MISA en ocasión del Año Jubilar Compostelano en la Plaza del Obradoiro de Santiago de Compostela. Homilía del Santo Padre.
19.15 Salida en avión desde el Aeropuerto Internacional de Santiago de Compostela rumbo a Barcelona.

Domingo, 7 de noviembre de 2010

Barcelona
09.30 ENCUENTRO PRIVADO CON SS.MM. LOS REYES DE ESPAÑA en la Sala Museo de la Iglesia de la Sagrada Familia de Barcelona.
10.00 SANTA MISA dedicada al Altar y a la Iglesia de la Sagrada Familia de Barcelona. Homilía del Santo Padre.
RECITACIÓN DEL ANGELUS DOMINI en la Plaza de la Iglesia de la Sagrada Familia de Barcelona. Palabra del Santo Padre.
13.00 Almuerzo con los Cardenales y Obispos presentes y con el Séquito Papal en el Arzobispado de Barcelona.
16.30 Despedida del Arzobispado de Barcelona.
17.15 VISITA A LA’”OBRA BENEFICO-SOCIAL NEN DÉU” de Barcelona. Saludo del Santo Padre.
18.30 CEREMONIA DE DESPEDIDA en el Aeropuerto Internacional de Barcelona. Discurso del Santo Padre.
19.15 Salida en avión del Aeropuerto Internacional de Barcelona rumbo a Roma.

Roma
20.55 Llegada al Aeropuerto de Roma-Ciampino.

Uso horario
Roma y España: + 1 UTC

UBI PETRUS, IBI ECCLESIA!

Oremus pro Pontifice nostro Benedicto.
Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.
Tu es Petrus,
Et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.
Oremus.
Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedictum, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam.
Per Christum, Dominum nostrum.
Amen.

domingo, 31 de outubro de 2010

Ainda o 1 de Novembro: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro".

A extraordinária Primeira Leitura que todos os anos ouvimos 2 vezes no Ano: No Dia de Todos os Santos e na Quinta Feira Santa, sobre a qual já se fizeram pinturas, algumas delas de verdadeira clarividência:

Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo.
Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: «Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus».
E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas.
Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão.
E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro».
Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos.
Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo:
«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!».
Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me:
«Esses que estão vestidos de túnicas brancas,quem são e de onde vieram?».
Eu respondi-lhe:
«Meu Senhor, vós é que o sabeis».
Ele disse-me:
«São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

E o Refrão do Salmo, que cantamos com o coração:
Esta é a geração dos que procuram o Senhor!
Hoje é Dia de Todos os Santos, Dia Santo e de preceito de Guarda.

No Vespers during the whole year makes so deep an impression upon me as Vespers of All Saints. Artistic reliquaries decorate the altar; in the relics the saints themselves are present, and Christ their leader is the altar. The latter is adorned in feast-day robes, golden antependium, glistening snow-white linens. Upon six golden candlesticks burn six huge candles. Behind them resplendent is the Lamb of the Apocalypse. Upon the throne as representative of the eternal Father sits the abbot in a golden-threaded cope. About him are the "seniors" of the monastery in white robes, while below four chanters, clothed in flowing pluvials, lead the monastic choir in the heavenly melodies. Out in the nave stand or sit the 'multitude of faithful which no man can number, from all peoples.' And throughout the edifice resound the jubilantly sonorous harmonies from the organ. It is an hour in heaven." (from a description by Fr. Kutzer of Mindelzell).

All Hallow's Eve

Sou pessoalmente afectado por este dia. É o meu dia de anos e dou graças a Deus Nosso Senhor Jesus Cristo por mais um aniversário!

Mas é também um facto que nos últimos anos temos assistido à invasão publicitária duma festa pagã que se pretende realizar no mesmo dia, com um especial enfoque nas máscaras das crianças, com aspectos das verdadeiras trevas.

Neste dia de Vigília de Todos os Santos e também de São Quintino e de Santo Afonso Rodrigues, saibamos ensinar às nossas crianças, como os bispos do Reino Unido deixaram em apelo este ano, para que as crianças se disfarcem de santos, que celebrem a Luz, a Luz de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Luz presente nos seus Anjos e nos seus Santos, que tão bem celebraremos amanhã.

Petrus

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Solenidade da Dedicação da Sé Patriarcal

Já há alguns anos que não consigo estar presente no 25 de Outubro, dia da Dedicação da Igreja Mãe de Todas as Igrejas do Patriarcado de Lisboa, a última vez que lá estive ainda era outro o Presidente da CML, que também esteve presente.

Não deixa de ser interessante que Sua Eminência reflicta dizendo que "não há catedral sem Bispo nem Bispo sem Catedral", quando todos sabemos da existência dos Srs. Bispos Auxiliares, não estando naturalmente em causa as pessoas, porque todos sabemos da existência de verdadeiros santos e verdadeiros sucessores dos Apóstolos que são alguns Bispos auxiliares portugueses.

Continuemos orando pelo Patriarcado e por Sua Eminência, assim como pela Sé Catedral Patriarcal e pelo Povo de Deus, que seja farol de fé, esperança e caridade, em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Homilia de D. José Policarpo na Solenidade da Dedicação da Sé Patriarcal

A Catedral e a visibilidade da Igreja

1. Na nova evangelização, é tão importante a visibilidade da Igreja como a força do seu mistério. É a sua realidade visível, na sua estrutura, na expressão comunitária, na presença dos cristãos no seio da comunidade humana, que comunicam e anunciam o amor salvífico de Jesus Cristo. Se a realidade visível da Igreja não transmitir a força invisível do Espírito de Cristo, torna-se estéril, equivalente a qualquer associação humana. Mas a realidade visível da Igreja é o caminho normal para comunicar e transmitir o invisível de Deus. A Igreja continua no tempo, a seu modo, o mistério do Verbo encarnado, em que o Verbo divino se exprime e actua na visibilidade da humanidade de Cristo (cf. Lumen Gentium, nº 8).

Esta harmonia do visível e do invisível, da realidade humana e da acção da graça, é o segredo da nova evangelização. Porque está no mundo, com a densidade das realidades históricas, a Igreja comunica o dinamismo do Reino dos Céus. Esta visibilidade da Igreja exprime-se na sua estrutura organizativa, na densidade da sua liturgia, no amor dos pobres, na presença dos cristãos no seio das diversas realidades humanas, onde semeiam a semente do Reino de Deus e são presença do amor-caridade, isto é, do amor com que Deus continua a amar o mundo, em Jesus Cristo.

2. A Catedral é expressão importante da visibilidade da Igreja e, por isso, é chamada a ser foco irradiante da graça de Jesus Cristo. Esta visibilidade da Catedral é mais do que a imponência do monumento. Igreja-Mãe de uma diocese, porção do Povo de Deus confiada aos cuidados pastorais de um Bispo, congregada pelo Evangelho, fortalecida na Eucaristia, reunida na comunhão da caridade, enviada ao mundo a anunciar, essa Igreja particular pode perceber, na sua Catedral, o segredo do seu ser e da sua missão. A visibilidade da Catedral é a visibilidade do ministério apostólico: a densidade da Palavra, sempre anunciada de novo para iluminar o presente, o dinamismo das comunidades cristãs que, reconhecendo no Bispo o seu pastor, sacramento de Cristo Bom-Pastor, aprendem a celebrar a Páscoa, descobrindo na Eucaristia a surpresa da redenção, a exigência da caridade, a urgência de partir em missão, tornando-se cada um, no meio do mundo, presença visível do invisível de Deus. Na Catedral pode ler-se toda a realidade da Igreja, a sua humanidade e a fecundidade invisível da acção do Espírito Santo.

3. Na Catedral a realidade invisível transcende a sua visibilidade. Já era esse o mistério do Templo de Jerusalém, tão bem expresso na oração do Rei Salomão. O templo visível suscita a fé e a esperança, toda a densidade da Aliança: “Os vossos olhos estejam abertos, dia e noite, sobre esta casa, sobre este lugar, do qual dissestes, aí estará o Meu nome” (1Re 8,29). O templo é, assim, a expressão visível da fé de Israel: Deus ama o seu povo e habita no meio dele.

4. No cristianismo, a verdadeira dimensão da Catedral é a Igreja, Povo dos que caminham com Cristo para a Jerusalém Celeste. Só a Igreja é, hoje, o verdadeiro templo, onde Deus habita no meio do seu Povo. A Catedral é o símbolo e o anúncio desse verdadeiro templo do Senhor, cuja solidez está alicerçada em Cristo, a pedra angular. E Pedro é claro na sua Carta: “Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus” (1Pet. 2,4). Deus tinha-o anunciado através dos profetas: “Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e quem nela puser a sua confiança, não será confundido” (1Pet. 2,6).

A Catedral, na sua visibilidade, anuncia a solidez e a firmeza da Igreja. Nela descobrimos que estamos seguros nas nossas lutas, sólidos no nosso caminho de santidade, protegidos nas nossas fraquezas e tentações, porque nós fazemos parte da Catedral. “E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual” (1Pet. 2,5). Alicerçada em Cristo, a santidade dos cristãos garante a solidez da Igreja, visível e humana, na fidelidade à sua vocação e missão.
Este templo espiritual abraça o mundo. A solidez desta Catedral são os doze Apóstolos do Cordeiro. Não há Catedral sem Bispo, nem Bispo sem Catedral. É assim na sua visibilidade histórica, será assim na Jerusalém Celeste. Como diz o Apocalipse, “a muralha da Cidade tinha na base doze reforços salientes e neles doze nomes: os dos doze Apóstolos do Cordeiro” (Apc. 21,14).
O problema da Samaritana era saber qual era o verdadeiro templo: o de Jerusalém ou o da Samaria? Jesus abre-lhe o coração para o novo Templo, Ele e a sua Igreja, construído com pedras que são Cristo, os doze Apóstolos, e todos os discípulos de Cristo. Nesse novo templo, Deus adora-Se em espírito e verdade (Jo. 4,23).

A Catedral só tem razão de ser, se for o templo visível onde cabe o templo invisível, que é toda a Igreja diocesana. Nela descobrimos a Igreja, nossa Mãe; solidificamos a firmeza da nossa fé; alargamos o horizonte da nossa comunhão; descobrimos a unidade como a cúpula da catedral; somos enviados com novo ardor, para testemunhar no meio do mundo, de uma maneira sempre nova, o amor de Jesus Cristo. Descobrimos que sempre, em qualquer momento da nossa vida cristã, nós estamos reunidos nessa grande Catedral que é a Igreja, a ouvir o ensinamento dos Apóstolos, e a amar todos os homens, nossos irmãos, com o infinito amor de Deus, em Jesus Cristo.

Sé Patriarcal, 25 de Outubro de 2010
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Heart speaks unto heart

Heart speaks unto heart!

Apostolic Jorney to the United Kingdom 2010 of His Holiness Pope Benedict XVI

Oremos pro Romano Pontifice Nostro Benedicto!

Louvemos ao Senhor pela extraordinária e histórica primeira visita oficial Papal ao Reino Unido. Bento XVI consegue realizar a 1ª visita oficial e a 2ª apostólica de um Papa, à Escócia e à Inglaterra. Isso só ocorre porque, finalmente e após 4 séculos de separação, o Reino Unido e a Santa Sé reconheceram mutuamente os respectivos estatutos de cada um dos Estados e o catolicismo, depois de oficialmente banido em Inglaterra (não na Escócia), foi tolerado no século no final do século XIX e reconhecido no século XX. Continua a ser proibido existir um Primeiro Ministro Católico e a Casa Real Reinante de Windsor continua a proibir a "conversão" ao catolicismo dos seus membros.

Para além do nevoeiro e da poluição da sociedade secularizada britânica que os meios de comunicação social e algumas elites fazem eco, a realidade local e regional é muito diferente, o povo verdadeiramente crente e com origens operárias é na sua grande maioria católico, as paróquias continuam a florescer quer com ingleses quer com a renovação constante não só com os tradicionais irlandeses, mas também com imigrantes católicos de todo o mundo, quer os de origem latina até aos anos 90 do século XX, quer depois com polacos e filipinos.

A mais recente alteração do catolicismo britânico aconteceu nos últimos 2 anos em que centenas de fiéis originários da Church of England e muitos sacerdotes pediram o ingresso, primeiro a título pessoal e agora podendo já o fazer em comunidade, na Sancta, Una, Catolica et Apostolica Ecclesia em comunhão total com Sua Santidade o Papa, são os chamados "Anglo Católicos em união com Roma", podendo manter a maioria do chamado "anglican use" (um quase rito).

A realidade católica no país de Sua Majestade é esta: Os católicos não pararam de crescer desde o final do século XIX. Em Liverpool, nos anos 40 do séc. XX os católicos não passavam dos 15%, hoje são quase 50%, em Glasgow (Scotland) são quase 30%, nas restantes dioceses a dispersão é grande e vai desde apenas cerca de 2% até, na grande maioria, entre os 8% e os 13%, incluindo as medianas percentagens nas 2 arquidioceses londrinas (a Westminster Roman Catholic Archdiocese com 10,1% e a Southwark Archdiocese com 9,5%) e as mais reduzidas nas arquidioceses de Edinburgh (Scotland) com 7,9% e de Birmingham só com 5,5%

Sua Santidade o Papa Bento XVI foi recebido à chegada ao aeroporto de Edinburgh pelo Príncipe Consorte Philip, Duke of Edinburgh, o que é a primeira vez que sucede, sinal dos tempos!

Muito Importante será, no final da visita, a Beatificação do Cardeal John Henry Newman (1801-1890) de que transcrevo as palavras que serão ditas na sua Beatificação:

John Henry Newman was born in London in 1801. He was for over twenty years an Anglican clergyman and Fellow of Oriel College, Oxford. As a preacher, theologian and leader of the Oxford Movement, he was a prominent figure in the Church of England. His studies of the early Church drew him progres sively towards full communion with the Catholic Church. With his companions he withdrew to a life of study and prayer at Littlemore outside Oxford where in 1845 Blessed Dominic Barberi, a Passionist priest, received him into the Catholic Church. In 1847 he was himself ordained priest in Rome and, encouraged by Blessed Pope Pius IX, went on to found the Oratory of St Philip Neri in England. He was a prolific and influential writer on a variety of subjects, including the development of Christian doctrine, faith and reason, the true nature of conscience, and university education. In 1879 he was created Cardinal by Pope Leo XIII. Praised for his humility, his life of prayer, his unstinting care of souls and contributions to the intellectual life of the Church, he died in the Birmingham Oratory which he had founded on 11 August 1890.

Newman foi o primeiro de muitos, que pelo aprofundamento do estudo teológico e pela prática cristã junto dos mais pobres e oprimidos, redescobriu o catolicismo, sendo proveniente do anglicanismo. Como ontem o insígne teólogo e Reverendo Padre Peter Stilwell disse na RTP: Newman é o futuro da Igreja!

Oremos pelo Santo Padre Bento XVI, pela sua viagem oficial e pastoral a terras de Sua Majestade, que a mesma demonstre a frescura do catolicismo inglês e escocês!